Os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), ou OTC, tratam sintomas leves sem receita médica e contribuem para o autocuidado com segurança e autonomia. A OMS reconhece a automedicação responsável como parte desse processo, desde que haja orientação adequada. Estudos indicam que 80% a 95% dos problemas de saúde podem ser manejados com autocuidado, incluindo o uso responsável de MIPs.
Os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), também conhecidos como OTC (do inglês Over the Counter), são medicamentos aprovados para tratar sintomas leves e condições autolimitadas, que podem ser classificadas também como doenças menores - amplamente reconhecidas pela população1-2, sem a necessidade de receita médica.
Eles desempenham um papel fundamental no autocuidado em saúde, permitindo que as pessoas cuidem de desconfortos cotidianos com autonomia, segurança e responsabilidade.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a automedicação responsável é parte do autocuidado e envolve o uso de medicamentos com informações claras, rotulagem adequada e, quando necessário, orientação de profissionais de saúde³.
Estudos indicam que entre 80% e 95% dos problemas de saúde podem ser manejados por meio do autocuidado, incluindo o uso responsável de MIPs6-7.
Os MIPs são medicamentos que passaram por rigorosa avaliação da Anvisa quanto à qualidade, segurança e eficácia, sendo indicados para situações de menor gravidade e que podem ser facilmente reconhecidas pelo próprio paciente¹.
No Brasil, sua regulamentação segue a RDC nº 98/2016, que estabelece critérios como segurança comprovada, baixo risco de efeitos adversos, baixo potencial de interação medicamentosa e instruções de uso claras e acessíveis.
Clique aqui, faça o download e conheça a RDC nº 98/16.
No Brasil os medicamentos estão sujeitos a regras específicas para comercialização e são classificados, entre outros critérios, pela presença ou não de tarjas na embalagem, que indicam o nível de controle necessário para seu uso.
- Medicamentos sem tarja (MIPs)
- Medicamentos com tarja vermelha
- Medicamentos com tarja preta
Importante
Medicamentos com tarja não devem ser utilizados sem orientação profissional
As 10 situações mais comuns de problemas de saúde autolimitados e autotratáveis são3:

Essas condições são, em geral, autolimitadas, ou seja, tendem a melhorar em poucos dias6-7.
Para garantir um uso seguro e eficaz, é importante seguir algumas orientações:
- Reconheça corretamente os sintomas
Utilize MIPs apenas para sintomas leves e já conhecidos¹³.
- Leia a bula com atenção
Verifique sempre:
- Respeite o tempo de uso
Se os sintomas persistirem por mais de 3 a 5 dias, procure orientação profissional. O uso prolongado sem orientação pode mascarar problemas mais graves.
- Evite combinações desnecessárias
O uso de múltiplos medicamentos para o mesmo sintoma pode causar duplicidade terapêutica e aumentar riscos.
- Consulte o farmacêutico
Esse profissional está preparado para orientar sobre o uso correto dos medicamentos²⁴.
Não utilize MIPs quando:
Interrompa o uso do medicamento e procure atendimento se:
- Atenção a grupos que exigem cuidados especiais
Crianças, idosos, gestantes, lactantes e pessoas com doenças crônicas devem sempre buscar orientação profissional antes de utilizar MIPs.
- O papel do farmacêutico no autocuidado
O farmacêutico é um aliado fundamental no uso seguro dos MIPs. Ele pode:
O uso responsável de MIPs não beneficia apenas o indivíduo, ele também contribui para a sustentabilidade dos sistemas de saúde.
No Reino Unido, por exemplo, cerca de 25 milhões de consultas médicas por ano são realizadas para tratar condições autolimitadas e, aproximadamente, 5 milhões de atendimentos em pronto-socorro envolvem problemas de baixa complexidade⁸.
Se parte desses casos fosse tratada por meio do autocuidado com MIPs, a economia anual estimada seria de £ 1,7 bilhão para o sistema de saúde britânico⁸.

Estudos em outros países reforçam esse impacto:
• na Escócia, até 13,2% das consultas em atenção primária poderiam ser resolvidas em farmácias comunitárias⁹;
• no Canadá, programas de manejo de condições leves com farmacêuticos apresentaram retorno de investimento (ROI) de 2,53 vezes¹⁰.

No Brasil, análises indicam que o uso de MIPs pode gerar economia significativa, com redução de:
• gastos com consultas médicas;
• perda de produtividade por afastamento do trabalho¹¹.
Além disso, o uso responsável desses medicamentos permite direcionar recursos do sistema de saúde para casos mais graves e complexos.
O uso adequado de MIPs traz benefícios importantes:
De acordo com a Federação Global de Autocuidado (Global Self-Care Federation)¹⁹, o avanço do autocuidado pode gerar impactos expressivos até 2040, incluindo:
Autocuidado é tudo aquilo que o indivíduo faz para cuidar da própria saúde no dia a dia, incluindo hábitos de vida, alimentação, higiene e o uso responsável de medicamentos³.
O uso de MIPs é parte dessa jornada mais ampla.
A autonomia no cuidado não exclui o acompanhamento profissional. Pelo contrário, exige discernimento para reconhecer limites e buscar ajuda quando necessário.
O autocuidado é reconhecido como um investimento estratégico22-23:
A ACESSA defende o uso responsável dos MIPs como parte do autocuidado em saúde, com base em informação qualificada, segurança regulatória e apoio profissional²⁰.

Pesquisa ACESSA/Datafolha, realizada com cerca de 2.000 participantes em todo o Brasil, mostra que a população está cada vez mais interessada em adotar práticas de autocuidado, um cenário que reforça a importância de ampliar o acesso à informação e à orientação adequada²¹.
O acesso à orientação adequada, seja por meio de profissionais de saúde ou de materiais confiáveis, é essencial para garantir que o autocuidado aconteça de forma segura e eficaz.
| No Brasil, os critérios para enquadramento dos medicamentos como isentos de prescrição estão descritos na RDC nº 98, de 2016. A Anvisa atualiza periodicamente a Lista de Medicamentos Isentos de Prescrição (LMIP), com as inclusões e alterações nos medicamentos listados. Em 2021, a Anvisa publicou a Instrução Normativa 86/21 com a nova LMIP, que trouxe pela primeira vez todos os MIPs comercializados no Brasil, permitindo maior clareza e facilidade na consulta para toda a população. Ao longo dos últimos anos, a ACESSA trabalhou ativamente com a Anvisa para tornar a nova lista de MIPs uma realidade. Trata-se de uma importante conquista para a sociedade brasileira. Acesse a lista clicando aqui. |
| A alteração do enquadramento da categoria de venda dos medicamentos sob prescrição para medicamentos isentos de prescrição (MIP) é conhecida internacionalmente como switch. Quando um medicamento novo é lançado, inicialmente, ele é enquadrado pela autoridade sanitária como medicamento de venda sob prescrição médica. Com o passar dos anos, após o medicamento ter sido utilizado em larga escala por um grande número de pacientes e de terem sido levantadas informações suficientes acerca da segurança de seu uso, e por possuir características típicas de um medicamento isento de prescrição, a empresa poderá submeter à autoridade sanitária um pedido de reclassificação da categoria de venda do seu produto. A nova resolução aprovada em 2016 pela Anvisa (RDC 98/16) estabelece critérios claros para que o processo de switch seja feito respeitando-se todas as exigências de segurança estabelecidos pela Agência. |
| Os sete critérios aprovados recentemente pela Anvisa para o enquadramento dos medicamentos como isentos de prescrição (MIP) consideram: • tempo de comercialização; • segurança; • sintomas identificáveis; • utilização por curto período de tempo; • ser manejável pelo paciente; • apresentar baixo potencial de risco; • não apresentar potencial de causar dependência. |